Quero falar com você sobre a dor,

não com uma conotação negativa, mas sim colocar essa nossa companheira em seu devido lugar.
Noto que temos tratado a dor como uma inimiga e por muitas vezes a combatemos, quero que você perceba que combater a dor (salvo exceções*) é combater a nós mesmos.
Afirmo a você que a dor não é o problema, ela apenas nos avisa de que há um problema.

É estranho para mim, a forma como lidamos com nosso corpo, por exemplo, quando alguma luz do painel do nosso carro se acende, não pedimos ao mecânico para que retire a luz, ao invés disso, pedimos para que encontre e solucione o problema para o qual essa luz alerta.
Mas com o nosso corpo agimos diferente, pedimos o tempo todo para que se retire a dor, sem nos importarmos do porquê que ela está lá.

Todos nós temos um caminho à percorrer nesta vida, e é impossível te dizer:
– Vai por aqui… ou – Vai por ali… Pois o caminho de uma pessoa é diferente do caminho da outra. Mas é possível ensinar quanto a utilização de alguns guias naturais que temos no próprio corpo, e que funcionam como eficientes bússolas. Um desses guias é a dor.

Procure imaginar a dor como um campo de espinhos que margeia as estradas do nosso caminho. Toda vez que vamos em um sentido contrário ao nosso Equilíbrio e a nossa Saúde, saímos do caminho e tocamos nos espinhos. Há pessoas que passam uma vida inteira caminhando sobre eles sem canalizar energia para reencontrarem sua direção, ao invés disso, canalizam seus esforços para adormecerem a mensagem da dor e assim se perderem mais confortavelmente.
A dor não mostra qual é a nossa direção, mas ela mostra quais as direções que não devemos ir.

Quando falo de dor, me refiro tanto a dor física como também a dor emocional, que podem ser extremamente suaves ou insuportavelmente fortes. Agora se a dor é o guia que nos mostra onde não ir, qual é o guia que nos aponta a direção para onde ir?

Pois bem…
Mentalize um sentimento sereno, o mais próximo possível do sentimento de paz, ele deve ser como o mar em um dia calmo, sem uma única ondulação, agora traga essa sensação para dentro de você sentindo-a em sua mente e em seu corpo. Quando conseguir isso de forma natural, sem o auxílio de nenhuma droga, encontrará o guia que procura, siga essa sensação e estará sempre em seu caminho.

Na prática podemos usar este conceito em várias situações de nossa vida.
No caso de uma lesão do corpo, a dor nos avisa que algumas de nossas células foram danificadas e que precisamos interditar aquela região para obras de reparo. Nos primeiros dois a três dias em média, se instala uma dor aguda e qualquer atividade nos é desconfortável. Isso é o corpo exigindo uma pausa em nossas atividades e um momento de repouso.

Está aí uma ótima oportunidade para refletirmos sobre nossa Saúde e todos os pilares que à sustentam refletir se nosso corpo já não pedia de forma mais gentil uma pausa (as vezes é preciso parar um pouco e olhar para qual direção nosso caminho aponta, sem essas pausas corremos o risco de ficarmos perdidos). À medida que o processo de reparo vai se estabelecendo  (todo corpo possui a capacidade da auto cura, nosso papel é facilitar essa cura ou pelo menos não atrapalhá-la) pouco à pouco conseguimos realizar atividades sem provocar a dor. Ficar em posições que te aliviam, realizar movimentos que te tragam conforto e evitar tudo aquilo que te gere dor, contribuirá e acelerará o processo de reparação.

Em alguns casos podemos até estimular movimentos que geram uma leve dor (recomendado fazer isso somente acompanhado de um profissional ou sob orientação dele), mas é preciso muito cuidado para diferenciar a dor que te alerta para um limite (voltando a ideia do caminho, aqui você está encostando nos espinhos), da dor que avisa que você está machucando seu corpo (andando sobre os espinhos), fuja sempre dessa última.

Podemos usar os meios analgésicos nesses casos, mas sempre com muita responsabilidade e consciência, pois dificultamos com eles, que o corpo se expresse através da dor, prejudicando assim a nossa referência do que podemos ou não podemos fazer. Neste caso o uso de analgésicos deve sempre ser acompanhado do repouso. Usar analgésicos para fazer aquela atividade que estava impossibilitado de fazer por causa da dor, é um erro perigoso que pode atrapalhar todo o processo de recuperação.

Já as dores e doenças crônicas, aquelas que já nos acompanham a alguns meses ou anos, nos oferecem uma ótima oportunidade à mudança de hábitos… hábitos de pensar, de sentir e de agir.

É comum pacientes assim chegarem à clínica queixando-se de alguma dor que já os acompanha a muito tempo, e quando questionados se há algo que  justificasse essa dor, uma resposta frequentemente dada é:

-Não fiz nada de diferente.

E é aí que está o problema! … A dor alerta para um desequilíbrio no ser, e nós formamos esses desequilíbrios muito antes de aparecer qualquer dor. E como formamos tais desequilíbrios? Nós os formamos ao longo da existência, através de nosso hábitos (novamente… hábitos de pensar, de sentir e de agir), que por sua vez são formados de acordo com as experiências que tivemos desde antes do nosso nascimento. Podemos por anos, ou até por uma vida inteira, repetir um mesmo hábito.

Acontece que alguns desses hábitos fazem sentido em um determinado momento da vida, mas quando estamos em outra fase… em outro momento, os mesmos hábitos já não fazem mais sentido nenhum, e a permanência neles nos tira de nosso caminho gerando desequilíbrios diversos. Nasce então a necessidade de mudarmos tais hábitos, e isso faz parte do progresso do homem e da humanidade, a dor só dá um empurrãozinho para nos mobilizarmos nessa direção.

Se quiser se livrar dos problemas crônicos, mais uma vez a saída é rever todos os pilares que sustentam sua Saúde, rever seus hábitos e tomar consciência do que precisa mudar… do que precisa melhorar. Não espere que uma pílula mágica resolva seus problemas. Canalize energia para reorganizar seus hábitos e procure por profissionais que te ajudem neste objetivo. Coragem para mudar e evoluir! Devemos lembrar que na condição de seres humanos, ainda não estamos prontos, estamos nos fazendo… e nos fazemos a cada dia.

Saúde a todos nós!
Que sua luz brilhe cada dia mais!
Vinicius Cillo

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